Quando alguém fala em Jalapão, provavelmente as primeiras imagens que vêm à cabeça são as dunas alaranjadas, os fervedouros de águas cristalinas e as estradas de terra percorridas pelos veículos 4×4.
Mas o Jalapão é muito mais complexo do que essas imagens.
A região reúne características geográficas, ambientais e culturais que ajudam a explicar por que esse destino se tornou um dos grandes nomes do ecoturismo e do turismo de aventura no Brasil.
E algumas dessas histórias são menos conhecidas.
Confira 10 curiosidades sobre o Jalapão que talvez você ainda não saiba.
1. O nome “Jalapão” vem de uma planta
Uma das curiosidades mais interessantes está no próprio nome.
Segundo informações do Ministério do Turismo, Jalapão vem de “jalapa”, uma planta abundante na região e também conhecida como batata-de-purga.
Ou seja, o nome que hoje está associado a dunas, fervedouros e aventuras 4×4 tem origem em uma espécie vegetal encontrada no próprio território.
É um daqueles detalhes que passam despercebidos quando conhecemos o destino apenas pelas fotografias.
2. O Jalapão é conhecido como o “deserto das águas”
À primeira vista, as grandes áreas de areia e o clima do Cerrado podem fazer o Jalapão parecer um ambiente desértico.
Mas existe uma diferença enorme.
A região possui uma grande quantidade de rios, nascentes, cachoeiras e fervedouros.
Por isso, o Ministério do Turismo utiliza a expressão “deserto das águas” para descrever o Jalapão: uma paisagem com aparência de savana e grandes áreas de areia, mas com uma riqueza hídrica impressionante.
É justamente esse contraste que torna a paisagem tão característica.
De um lado, as dunas.
Do outro, rios, nascentes e águas cristalinas.
3. Os fervedouros não são simplesmente piscinas naturais
Os famosos fervedouros estão entre as atrações mais conhecidas do Jalapão.
Mas por que é possível entrar na água e ter aquela sensação de não conseguir afundar?
O fenômeno está relacionado à pressão da água que sobe das nascentes subterrâneas.
O Ministério do Turismo descreve os fervedouros como nascentes em que a pressão da água impede que a pessoa afunde.
A Prefeitura de Mateiros também destaca esse fenômeno ao apresentar os fervedouros como nascentes com alta pressão da água proveniente do lençol freático.
E existe outro detalhe interessante: os fervedouros não são todos iguais.
Eles possuem diferentes tamanhos, formatos, cores e características.
Por isso, visitar mais de um revela experiências bastante diferentes.
4. As dunas podem chegar a cerca de 40 metros
As dunas são provavelmente a imagem mais reconhecida do Jalapão.
Com sua coloração alaranjada, elas contrastam com o verde do Cerrado e criam uma paisagem que parece ter saído de outro lugar.
Segundo o Ministério do Turismo, as dunas do Jalapão podem chegar a aproximadamente 40 metros de altura.
E existe uma explicação para parte dessa coloração tão característica.
O material arenoso e os processos naturais da região contribuem para os tons que vão do amarelo ao laranja.
O resultado é um dos cenários mais marcantes do Tocantins.
5. O Jalapão não é um único parque
Esse é um detalhe que costuma causar confusão.
Quando alguém fala simplesmente “Jalapão”, pode parecer que está falando de uma única unidade de conservação.
Na realidade, a Região do Jalapão é muito maior.
O ICMBio descreve a região como uma área de aproximadamente 43.881 km², abrangendo 10 municípios e inserida no bioma Cerrado.
Já o Parque Estadual do Jalapão é uma unidade de conservação específica dentro desse contexto.
O município de Mateiros, por exemplo, informa que o Parque Estadual do Jalapão está integralmente localizado dentro de seu território.
Por isso, falar simplesmente “vou ao Jalapão” pode significar conhecer uma região muito mais ampla do que um único parque.
6. O Jalapão é uma região estratégica para as águas do Brasil
Essa talvez seja uma das curiosidades menos conhecidas.
A região do Jalapão possui áreas importantes para a recarga de aquíferos e o nascimento de rios.
Segundo o ICMBio, a Serra Geral do Tocantins e a Chapada das Mangabeiras são importantes áreas de recarga e abrigam nascentes de afluentes de três grandes bacias hidrográficas brasileiras: Tocantins, Parnaíba e São Francisco.
Isso ajuda a explicar por que uma paisagem que, em algumas áreas, parece extremamente seca possui tantos rios, nascentes, cachoeiras e fervedouros.
O Cerrado é frequentemente chamado de “berço das águas”, justamente pela importância de suas nascentes para diferentes bacias hidrográficas.
7. O capim-dourado é muito mais do que uma planta bonita
O brilho dourado que aparece em bolsas, brincos, pulseiras e outros artesanatos é uma das marcas culturais do Jalapão.
O capim-dourado é utilizado tradicionalmente pelas comunidades da região para a produção artesanal.
A Vila de Mumbuca, em Mateiros, é reconhecida como uma comunidade quilombola ligada à tradição desse artesanato. O Ministério do Turismo a identifica como um dos principais símbolos culturais da região.
E existe uma questão importante por trás disso: o manejo do capim-dourado possui regras para evitar a exploração inadequada do recurso.
Ou seja, aquela pequena haste dourada que parece simples carrega uma história que envolve cultura, geração de renda e conservação ambiental.
8. Mumbuca ajuda a contar a história do Jalapão
Quando se fala em Jalapão, é comum pensar primeiro nas paisagens naturais.
Mas a região também possui uma forte dimensão cultural.
A Comunidade Quilombola Mumbuca, localizada em Mateiros, é um dos principais lugares para conhecer a tradição do artesanato de capim-dourado e a cultura das comunidades locais.
Por isso, conhecer o Jalapão vai muito além de visitar cachoeiras e tirar fotos nas dunas.
A experiência também passa pelas pessoas que vivem na região e pelas tradições que foram construídas ao longo das gerações.
9. A região abriga uma fauna muito diversa
O cenário do Jalapão pode parecer dominado por areia, cerrado e formações rochosas, mas existe uma grande diversidade de animais vivendo na região.
O ICMBio destaca a presença de espécies como onça, tamanduá-bandeira, anta, lobo-guará, capivara e diversas aves, além de espécies ameaçadas que despertam interesse científico.
Entre elas está o pato-mergulhão, uma espécie considerada extremamente ameaçada de extinção.
Isso mostra que o Jalapão não é importante apenas como destino turístico.
É também uma área de grande relevância para a conservação da biodiversidade do Cerrado.
10. O Jalapão é muito mais do que dunas e fervedouros
Talvez essa seja a maior curiosidade de todas.
Quem conhece o Jalapão apenas pelas imagens mais famosas pode imaginar que a viagem se resume a dunas e fervedouros.
Mas a região reúne uma variedade enorme de experiências.
Há:
- cachoeiras;
- rios;
- cânions;
- formações rochosas;
- trilhas;
- rafting;
- canoagem;
- comunidades tradicionais;
- artesanato;
- paisagens de Cerrado;
- estradas de terra e trechos off-road.
O Ministério do Turismo destaca justamente essa combinação entre natureza, aventura e cultura como uma das características do destino.
É por isso que uma viagem ao Jalapão dificilmente pode ser resumida a uma única atração.
Cada região apresenta uma paisagem e uma experiência diferente.
E talvez seja por isso que o Jalapão combine tanto com o 4×4
Existe uma característica do Jalapão que chama especialmente a atenção de quem gosta de veículos fora de estrada: o caminho faz parte da experiência.
A região possui muitos acessos por estradas não pavimentadas e diferentes condições de terreno.
O próprio Ministério do Turismo descreve os roteiros pelo Jalapão como expedições que podem envolver longos percursos em estradas de terra e destaca a importância de condutores experientes e veículos adequados às condições locais.
E é justamente essa combinação de natureza, cultura, estrada e aventura que faz do Jalapão um destino tão especial para uma expedição 4×4.
Jalapão: quanto mais você conhece, mais descobre
Depois de conhecer essas dez curiosidades, fica fácil perceber que o Jalapão é muito mais do que um cenário bonito para fotografias.
Existe uma história por trás do nome, um fenômeno natural por trás dos fervedouros, uma importância ambiental por trás das nascentes, uma tradição cultural por trás do capim-dourado e uma enorme biodiversidade por trás das paisagens.
E talvez essa seja a melhor maneira de conhecer o Jalapão:
não apenas olhando para o destino, mas entendendo o que existe por trás dele.
Para quem viaja de 4×4, existe ainda uma parte especial dessa experiência.
A estrada.
Porque no Jalapão, muitas vezes, o caminho para chegar até a paisagem é tão marcante quanto a paisagem em si.